Uma eleição termina quando os votos são apurados. Mas, para milhões de brasileiros, as emoções provocadas pelo resultado podem continuar por muito tempo. Quem acompanha a política com intensidade sabe que uma derrota eleitoral pode produzir frustração, indignação e desânimo. Afinal, não se trata apenas de escolher um candidato. Muitas pessoas depositam naquela escolha expectativas sobre o futuro do país.

A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreveu cinco reações associadas ao luto. Adaptando esse modelo, podemos identificar sete momentos que ajudam a compreender a reação diante de uma grande decepção. Não são etapas obrigatórias nem acontecem necessariamente nessa ordem:

O CHOQUE (acompanhado da negação): A pessoa recebe a notícia e custa a acreditar. Procura explicações, revê os acontecimentos e tenta compreender o que aconteceu.

A RAIVA: Aparecem a indignação, a procura por culpados e a sensação de injustiça. Mas existe uma diferença entre expressar indignação e permitir que ela controle nossas decisões.

A BARGANHA: Começam as perguntas: e se a campanha tivesse sido diferente? E se determinada decisão não tivesse sido tomada? Refletir sobre erros pode ser útil. Ficar prisioneiro de hipóteses que não podem ser modificadas, não.

A TRISTEZA: É quando desaparece a expectativa de uma vitória e surge o desânimo. Algumas pessoas se afastam das notícias e das discussões políticas. Outras precisam conversar e organizar seus sentimentos. Cada uma tem seu tempo.

A ACEITAÇÃO: E aqui existe uma distinção fundamental. Aceitar o resultado das urnas não significa concordar com as ações pouco transparentes do ministro Zanin, nem com as omissões do TSE para combater as mentiras dos militantes da esquerda. Significa reconhecer a realidade e compreender que não resolveremos nada apenas fazendo catarse nas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp.

A ADAPTAÇÃO: A vida continua. O trabalho, a família, os compromissos e os problemas concretos do país continuam exigindo atenção. É possível acompanhar a política com olhar participativo para ser partícipe do projeto de libertação do comunismo no Brasil.

A RECONSTRUÇÃO de um propósito: A frustração deve dar lugar ao aprendizado. O debate deve substituir a hostilidade. E a participação democrática deve continuar por meio de propostas, fiscalização, diálogo e estratégia.

"O resultado das urnas pertence ao passado. A maneira como cada brasileiro decide conviver, participar e contribuir para o país pertence ao futuro. A única forma de não nos preocuparmos com o nosso futuro é ajudando a construir um futuro melhor, entre todos os que temos os mesmos valores, começando HOJE. E aí... bora trabalhar?"