Cento e seis! Esse é o número de urnas brasileiras nas quais Flávio Bolsonaro não recebeu um único voto no segundo turno das eleições presidenciais. Repito: 106 urnas com zero voto para Flávio! Nessas mesmas urnas, Lula recebeu quase 15 mil votos.
Mas atenção: zero voto não é sinônimo de fraude. (Até porque quatro urnas também registraram zero voto para Lula). O que precisamos investigar não é apenas o resultado. É tudo aquilo que aconteceu ao redor dele.
E hoje quero levar vocês até Maués, no Amazonas. Mais precisamente, à seção eleitoral 176, instalada na Escola Municipal Indígena Uniawasap'i, a até doze horas de barco da sede do município.
Vejam os números da eleição presidencial nesta seção:
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Primeiro turno: Flávio Bolsonaro recebeu 16 votos. Lula, 310.
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Segundo turno: Flávio recebeu ZERO. Lula saltou para 333.
E não foi apenas na eleição presidencial. Na disputa pelo governo do Amazonas, na mesma seção, Maria do Carmo (PL) caiu de 11 votos para apenas 1. Enquanto Omar Aziz saltou de 176 para 328 votos! Uma mudança impressionante. Quase um verdadeiro milagre.
Mas existe algo ainda mais nebuloso nessa história. O vice-prefeito de Maués, Paulo José Batista Almeida, conhecido como Paulo PP, tem justamente nessa escola indígena seus dois maiores redutos eleitorais proporcionais no município. Na seção 176, recebeu 56 votos para deputado estadual. Na seção vizinha, a 179, obteve 38 votos. Ou seja, a eleição se fez nas escolas do vice-prefeito. Uma "transparência" com a cor do petróleo.
Paulo PP também aparece como sócio de empresas ligadas ao comércio de combustíveis e transporte fluvial. E por que isso merece atenção? Porque, nessas comunidades, combustível não é apenas uma mercadoria. É o que permite às pessoas se deslocarem.
E agora chegamos aos contratos públicos:
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Em 2025, a Prefeitura de Maués homologou uma licitação de combustíveis de R$ 18.760.000,00.
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A maior parcela, aproximadamente R$ 10.350.000,00, ficou com a empresa Pontão Maués.
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O levantamento encontrou coincidências de telefone e escritório de contabilidade entre essa empresa e negócios ligados ao grupo PP.
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O administrador da empresa tem o mesmo sobrenome do vice-prefeito: Batista de Almeida.
E tem mais. No dia 19 de outubro, entre os dois turnos, a prefeita Macelly Veras (PDT) reconheceu publicamente que a prefeitura havia distribuído combustível, alimentos e outros materiais a comunidades indígenas atingidas pela estiagem. A prefeita afirmou: "Ninguém está querendo comprar voto". Muito bem. Ajudar comunidades durante uma emergência é obrigação do poder público. Mas, em período eleitoral, transparência é fundamental.
A história não termina aí. Em Maués, uma creche foi contratada por aproximadamente R$ 3,6 milhões, com desconto de apenas 0,05% sobre o valor estimado. Outro procedimento, para transporte fluvial, recebeu inscrições durante apenas um dia. Resultado? Uma única empresa ficou com itens que somam mais de R$ 8 milhões.
Tudo isso exige fiscalização rigorosa dos órgãos de controle. Nós somos um portal de notícias, mas saibam que vamos expor essas falcatruas publicamente.
"Uma urna com zero voto pode ser perfeitamente legítima. Mas zero transparência na administração pública não será aceita. Porque o que garante a democracia não é apenas contar corretamente os votos. É garantir que cada voto tenha sido conquistado livremente, sem pressão, sem favorecimentos e sem o uso indevido do dinheiro do povo."