Há duas diferenças que parecem pequenas, mas dizem muito sobre uma sociedade.

A primeira é entre idoso e velho. Idoso é uma condição do calendário. Velho pode ser uma condição do pensamento. Há jovens de vinte anos com ideias envelhecidas, incapazes de aceitar mudança, responsabilidade ou liberdade — assim como políticos, a exemplo de Lula, que ficaram no passado e repetem narrativas que sabem que não poderão cumprir. E há idosos de oitenta anos curiosos, produtivos, aprendendo, trabalhando e olhando para a frente. Envelhecer é inevitável. Ficar velho por dentro é outra história.

A segunda diferença é entre raiz e âncora. As duas prendem alguma coisa ao chão. Mas fazem exatamente o contrário. A raiz sustenta para que a árvore cresça. A âncora prende para que o barco não saia do lugar.

Uma família precisa de raízes: educação, respeito, responsabilidade, honestidade, palavra dada, limites, trabalho, solidariedade. Valores morais que passamos aos filhos não para aprisioná-los, mas para que tenham estrutura suficiente para conquistar a própria liberdade. A raiz não impede o filho de voar. A raiz permite que ele saiba de onde veio quando decidir para onde vai.

E o Estado? O Estado também pode ser raiz ou âncora. Uma política social pode funcionar como raiz quando protege alguém durante uma situação de pobreza e cria condições para que essa pessoa reconquiste a autonomia e saia da ajuda do governo. Mas existe um debate legítimo sobre o risco de as políticas públicas se transformarem em âncoras quando não oferecem portas suficientes para qualificação, emprego, empreendedorismo e aumento de renda — como acontece neste desgoverno do PT.

É importante reconhecer um fato: o Bolsa Família possui uma Regra de Proteção, justamente para evitar que quem começa a trabalhar perca imediatamente todo o benefício. Dependendo da situação, a família que aumenta sua renda pode continuar temporariamente recebendo parte dele. Portanto, seria incorreto afirmar que o programa simplesmente impede o beneficiário de trabalhar ou melhorar de vida. Mas a realidade mostra que a grande maioria dos beneficiários não procura emprego.

A discussão mais profunda é: qual deve ser o objetivo final de uma política social? Administrar permanentemente a pobreza, como no desgoverno Lula? Ou criar as condições para que cada vez mais pessoas possam sair dela, como tem proposto Flávio Bolsonaro?

Benefício social não nasce do nada. Ele depende do orçamento público, abastecido pela sociedade por meio de impostos, contribuições e outras receitas. Isso não diminui sua importância. Apenas lembra que o Estado não produz solidariedade com dinheiro próprio. Ele administra recursos da sociedade.

Por isso, devemos exigir de qualquer política pública duas coisas simultaneamente: que ninguém seja abandonado quando realmente precisa e que ninguém seja condenado a precisar para sempre. Proteção sem perspectiva vira dependência. Esse é o objetivo de governos socialistas.

Não importa apenas quantos anos uma sociedade tem, mas se suas ideias continuam capazes de avançar. Não importa apenas quanto o Estado oferece, mas se aquilo que oferece ajuda o cidadão a caminhar com as próprias pernas.

"Dê raízes aos seus filhos para que tenham força para crescer; dê oportunidades aos cidadãos para que tenham liberdade para partir. Porque a raiz sustenta e a âncora aprisiona."