Em 1453, caiu Constantinopla. Durante mais de mil anos, a cidade havia resistido a invasões, cercos e guerras. Suas muralhas eram consideradas praticamente intransponíveis. Eram um símbolo de força, de estabilidade e de permanência. Mas existe uma lição que a História nos ensina repetidas vezes: nenhuma muralha resiste quando aquilo que a sustenta começa a enfraquecer por dentro.
O Império Bizantino já não tinha a mesma capacidade financeira, militar e política de séculos anteriores. O mundo havia mudado, as ameaças haviam evoluído e os recursos já não eram suficientes para defender aquilo que parecia eterno. A queda não aconteceu de um dia para o outro. Foi o resultado de décadas de desgaste.
No Brasil, o eleitorado conservador também acredita que algumas muralhas jamais cairão. As “muralhas” do populismo de esquerda.
É ingênuo supor que nossa economia sempre encontrará uma saída:
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Que a dívida pública pode crescer indefinidamente.
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Que déficits podem ser financiados para sempre.
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Que aumentar gastos nunca terá consequências.
Estas afirmações somente se sustentam na base de pura narrativa "canhoteira". Só que a História mostra exatamente o contrário.
Entre 2014 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff, o país viveu uma das mais profundas crises econômicas de sua história recente. O desequilíbrio fiscal, a perda de confiança, a recessão e o aumento do desemprego formaram uma combinação que reduziu investimentos, fechou empresas e afetou milhões de brasileiros. Não foi um único fator. Mas o descontrole das contas públicas teve papel importante naquele processo, ao lado de outros problemas econômicos e políticos.
Hoje, muitos indicadores voltam a acender sinais de alerta:
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A dívida cresce.
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O déficit continua pressionando as contas públicas.
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Os juros permanecem elevados em parte porque investidores exigem maior prêmio para financiar um Estado que gasta cada vez mais.
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E cada real destinado ao pagamento de juros é um real que deixa de financiar infraestrutura, educação, segurança ou saúde.
O governo do PT sabe disso. O próximo presidente da República encontrará um desafio enorme. Se optar por adiar novamente os ajustes, transferindo a conta para o futuro, poderá apenas prolongar um problema que tende a ficar mais caro. Essa é a estratégia de Lula para culpar sempre um terceiro pelo desajuste provocado por ele mesmo.
Se enfrentar o tema com responsabilidade, reduzindo despesas, aumentando a eficiência do Estado e reconstruindo o equilíbrio fiscal, poderá devolver ao Brasil algo que nenhum programa assistencial consegue comprar: confiança. Confiança para investir. Confiança para produzir. Confiança para gerar empregos.
As muralhas de Constantinopla eram impressionantes. Mas não bastaram quando os alicerces começaram a ceder. Na economia, acontece exatamente o mesmo. Nenhum país quebra de repente:
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Primeiro, desaparece a confiança.
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Depois, desaparece o crédito.
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E, por fim, desaparece a capacidade de escolher o próprio destino.
A responsabilidade do eleitor é enorme neste momento da história brasileira. Se escolher a continuidade deste governo, poderá ser parte da pior depressão econômica dos últimos muitos anos, inclusive pior que a da era Dilma.
Se o governo "Lule" continua e não faz uma redução drástica do gasto público (e não o fará), bastará trocar a palavra “Constantinopla” por “Lula e seu governo”. As chances de cair serão enormes.
"Na História, impérios caíram quando ignoraram seus limites e acreditaram que tudo se resolvia com boas intenções. Na economia, nações prosperam quando têm a coragem de reconhecê-los antes que seja tarde, ou caem quando quem governa está apenas preocupado com o seu bem-estar e o dos seus aliados. O povo só é prioritário no discurso."