Há uma história que conto há muitos anos nos meus cursos. Um filósofo e seu discípulo visitaram uma aldeia miserável. Casas precárias, pouca comida, nenhuma perspectiva. O filósofo perguntou ao líder: "Como vocês sobrevivem?"

"Temos a vaca Carmelita. Ela nos dá leite, fazemos queijo e trocamos o excedente por alimentos. É pouco, mas sobrevivemos."

Naquela noite, o filósofo deu uma ordem absurda ao discípulo: "Empurre Carmelita no precipício!"

"Mestre, eles não têm nada! Sem a vaca, morrerão de fome!" Mas o filósofo insistiu. E Carmelita... escorregou no penhasco.

Anos depois, atormentado pela culpa, o discípulo voltou à aldeia. Esperava encontrar miséria. Encontrou prosperidade! Casas melhores, plantações, comércio e crianças na escola. Perguntou ao líder o que havia acontecido.

"Quando Carmelita desapareceu, ficamos desesperados. Sem leite e sem queijo, tivemos que encontrar outra saída. Descobrimos que nossa terra era fértil. Plantamos, colhemos, vendemos, aprendemos novas atividades. E construímos tudo isso!"

Aquela história nunca foi sobre uma vaca. Foi sobre dependência! Sobre aquilo que nos oferece segurança suficiente para sobreviver, mas que pode nos impedir de descobrir nossa verdadeira capacidade.

O Brasil também possui suas vacas Carmelitas. A ilusão do dinheiro público infinito. A ilusão de que dívida não tem consequências. De que produtividade não importa. De que basta distribuir riqueza sem antes produzi-la. Nenhuma sociedade consegue distribuir indefinidamente aquilo que não produz.

Proteção social é necessária! Mas deve também abrir caminhos para autonomia, qualificação e oportunidades. O Estado tem responsabilidades fundamentais. Mas não pode substituir a capacidade de iniciativa dos cidadãos. E o Brasil possui uma riqueza extraordinária: terras férteis, trabalhadores, empreendedores, agronegócio, indústria, tecnologia e recursos naturais.

Não precisamos jogar direitos ou pessoas no precipício. Precisamos jogar nossas ilusões! Acreditar que prosperidade nasce de um decreto. Que gastar não exige escolher. Que o futuro pode ser construído sem responsabilidade.

Carmelita nos ensina que uma segurança aparente pode, às vezes, limitar nossos horizontes. É hora de olhar para a terra. Arregaçar as mangas. Plantar, produzir, aprender e construir. Porque, às vezes, para descobrir a terra fértil que temos debaixo dos pés, precisamos deixar nossa vaca Carmelita cair no precipício.

E que cada brasileiro encontre oportunidades reais para transformar dependência em autonomia, dificuldades em conquistas e esperança em prosperidade!

"Eleitores de baixa renda e necessidades sociais: está na hora de empurrar a sua vaca Carmelita pelo precipício."