Hoje, dia 1º de outubro, o Brasil celebra o Dia Nacional da Pessoa Idosa. A mesma data foi escolhida internacionalmente para chamar a atenção para o envelhecimento, a dignidade e a contribuição das pessoas idosas à sociedade. No Brasil, a data foi instituída pela Lei 11.433. E eu gostaria de começar eliminando uma ideia equivocada: envelhecer não é perder. Envelhecer é ter conseguido chegar.

Cada aniversário acrescenta alguma coisa que dinheiro nenhum consegue comprar: experiência. O idoso brasileiro ajudou a construir empresas, criar famílias, educar filhos, pagar impostos, enfrentar crises econômicas, inflação, mudanças de moeda, mudanças de governo e transformações tecnológicas. Nós, idosos, vimos o mundo mudar. Erramos. Acertamos. Aprendemos. E acumulamos aquilo que nenhum jovem consegue adquirir rapidamente: tempo vivido.

O Brasil está envelhecendo. O Censo de 2022 contabilizou 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais — 15,8% da população. Mas outro número chama a atenção quando olhamos para a eleição do próximo domingo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, mais de 37,4 milhões de eleitores com 60 anos ou mais estão aptos a votar em 2026. Somos 23,6% de todo o eleitorado brasileiro. Quase um em cada quatro eleitores.

E, dentro desse grupo, há aproximadamente 17 milhões de brasileiros com 70 anos ou mais. Para eles, votar não é mais obrigação. É escolha. A Constituição determina que, a partir dos 70 anos, o voto seja facultativo. Eles podem ficar em casa sem qualquer penalidade. Mas poder ficar em casa também significa poder decidir sair dela.

No próximo domingo, 4 de outubro, 158,7 milhões de brasileiros estarão aptos a escolher presidente, governador, dois senadores, além de deputados federais e estaduais (ou distritais). E aqui não importa em quem cada idoso vai votar. Direita, esquerda ou centro. A escolha pertence exclusivamente a cada cidadão. O que importa é não abrir mão desta escolha.

Porque existe uma responsabilidade especial para quem já viveu muito: pensar não apenas no Brasil que recebemos, mas naquele que vamos deixar. O voto de uma pessoa de 70, 80 ou 90 anos vale exatamente o mesmo que o voto de alguém de 18. Mas carrega uma história diferente. Carrega lembranças. Carrega comparações. Carrega experiências que não aparecem em pesquisas nem cabem numa planilha.

Por isso, neste Dia Nacional da Pessoa Idosa, meu reconhecimento não é apenas para quem chegou aos 60. É para quem continua participando. Para quem continua ensinando. Para quem continua aprendendo. E para quem entende que idade não encerra cidadania.

No domingo, cada pessoa decidirá livremente se vai votar e em quem vai votar. Olha que oportunidade temos perante a possibilidade de transformar décadas de experiência em participação cívica. Manifesto, então, um pedido democrático para a nossa geração: participe ativamente da construção do país que nossos filhos e netos receberão.

"Envelhecer é acumular passado; participar é continuar construindo o futuro. O maior legado de quem viveu muito está em ajudar a deixar aos filhos e netos um país digno da história que ainda vão viver."