Na madrugada de 6 de junho de 1944, milhares de jovens atravessaram o Canal da Mancha sabendo que talvez não voltassem para casa. Era o Dia D. O desembarque da Normandia. A maior operação combinada naval, aérea e terrestre da história da guerra.
Ao final daquele dia, aproximadamente 156 mil soldados britânicos, americanos e canadenses haviam desembarcado na França ocupada. Eles estavam escrevendo parte da História. Ninguém acreditava que a guerra terminaria naquele dia. Mas todos sabiam que, se ninguém começasse a avançar, ela jamais terminaria.
No Brasil, também temos nossas praias para conquistar. Não com armas de fogo, e sim com armas eleitorais.
A nossa primeira praia é a fiscal. A dívida bruta brasileira ultrapassou 81% do PIB em junho. Não existe milagre econômico capaz de substituir a responsabilidade fiscal. O próximo governo terá que fazer um corte nas despesas.
A segunda praia é a econômica. O Brasil precisa voltar a premiar quem produz. O pequeno empresário. O agricultor. O trabalhador. Quem investe. Quem arrisca o próprio patrimônio.
Existe uma terceira praia, que é a mais difícil: a política. A campanha eleitoral começou. Já estamos ouvindo promessas extraordinárias. Todo candidato tem solução para saúde, educação, segurança, emprego e renda.
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Vão prometer melhorar o SUS, e o eleitor deverá perguntar: "Sua família é atendida no SUS?"
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Vão prometer melhorar a educação, e o eleitor deverá perguntar: "Seus filhos frequentam escola pública?"
Porque prometer é fácil. Realizar é difícil. No Dia D, os soldados descobriram rapidamente que o plano desenhado nos mapas precisava sobreviver à realidade das praias. Na política, acontece exatamente a mesma coisa. Programa de governo bonito não paga dívida. Slogan não gera produtividade. Vídeo de campanha não reduz violência. E postagem em rede social não substitui liderança.
O Brasil não precisa de um presidente capaz de explicar por que determinado problema não pode ser resolvido, e muito menos de um que prometa que desta vez — a quarta — vai resolver o que não conseguiu fazer em 4 mandatos e meio (contando com os de Dilma). Prometer que vai fazer os corruptos pagarem por suas falcatruas (desde que não sejam amigos ou parentes). Que vai tirar o sigilo de tudo (mas só do governo anterior). O Brasil precisa de um presidente capaz de começar a resolver de vez esses problemas.
Acrescento uma última lição do Dia D na Normandia. A vitória não aconteceu porque todos pensavam igual. Americanos, britânicos, canadenses, franceses e outros aliados tinham interesses, governos e visões diferentes. Mas compreenderam que existia um objetivo maior. O Brasil também precisa reaprender isso.
No dia 6 de junho de 1944, aqueles homens não libertaram a Europa inteira de uma vez. Conquistaram uma praia. Depois outra. Depois uma cidade. Depois outra. Até que aquilo que parecia impossível começou a acontecer.
Talvez o Brasil esteja diante do seu próprio Dia D. Não para derrotar brasileiros, e sim para não permitir que suspeitos de corrupção, gestores ruins, administradores desastrados e políticos mentirosos possam voltar à cena política. E, no dia da eleição, nossa arma será o voto e a liberdade de escolher.
"Na Normandia, a liberdade começou com homens que tiveram coragem de desembarcar. No Brasil, a mudança começará quando tivermos discernimento para que o eleitor de menores recursos econômicos e cognitivos manifeste seu cansaço pelas promessas descumpridas. Nenhum país conquista o futuro permanecendo parado na praia."