Há dias em que o calendário parece ter sido organizado por alguém com bastante senso de humor. O dia 22 de setembro é um deles. É o Dia do Contador. É o Dia da Juventude do Brasil. É o início da Primavera. E, para completar a salada — ou melhor, a salada de frutas —, também é o Dia da Banana.

Tentei encontrar uma relação lógica entre tudo isso. Não consegui. Então fiz o que todo brasileiro sabe fazer: improvisei.

Comecemos pelo contador. Eu sou contador e, como tal, confesso que nós, contadores, temos uma habilidade quase sobrenatural: conseguimos entender o que a Receita Federal escreve. Vivemos entre débitos, créditos, ativos e passivos. Conhecemos uma regra de ouro que serve para empresas, famílias e até para países: se você gastar permanentemente mais do que ganha, uma hora a conta chega. Parece óbvio. Mas, aparentemente, ainda precisa ser explicado em Brasília. Parabéns para nós, contadores.

Hoje também é o Dia da Juventude do Brasil. Talvez o maior ativo do nosso balanço nacional. O jovem tem energia, criatividade, coragem e uma característica peculiar: aos vinte anos, acredita que sabe tudo. Depois dos cinquenta, descobre que, aos vinte, não sabia absolutamente nada. Mas é justamente essa coragem que empurra o mundo para a frente. Por isso, o jovem precisa de educação, oportunidade, liberdade e esperança. Porque poucas coisas são mais tristes para um país do que um jovem que deixa de sonhar.

E então chega a Primavera. É a estação com a mensagem mais bonita: depois de todo inverno, alguma coisa pode voltar a florescer. A árvore que parecia morta estava apenas esperando. É como se a natureza dissesse: calma... ainda dá tempo.

E, finalmente, chegamos à banana. As primeiras formas selvagens da fruta surgiram no Sudeste Asiático e em Papua-Nova Guiné há pelo menos 7.000 anos. A banana ancestral era pequena, dura, com casca grossa e repleta de sementes, sendo pouco doce e difícil de consumir. Ela só chegou ao Brasil no século XVI, trazida pelos colonizadores portugueses. Hoje, tem banana-prata, nanica, maçã, ouro, da-terra... Mas a banana também ensina alguma coisa: existe uma hora certa para aproveitá-la. Espere demais e ela passa do ponto. Oportunidades são assim também.

E, finalmente, encontrei a ligação entre os quatro assuntos:

  • O contador ensina a fazer as contas.

  • A juventude ensina a sonhar com o futuro.

  • A primavera mostra que sempre podemos recomeçar.

  • A banana alerta que algumas oportunidades não esperam para sempre.

Talvez essa seja uma excelente receita para o Brasil: contas equilibradas, jovens com oportunidades, capacidade de recomeçar... e muita atenção para não escorregar numa casca de banana.

"Façamos as contas como um contador, sonhemos como um jovem, renasçamos como a primavera e aprendamos com a banana que tudo tem seu tempo. Porque o problema não é escorregar numa casca. É continuar no chão quando ainda dá tempo de levantar e florescer."