Existe um sufixo mágico na política brasileira: “cracia”. Vem do grego krátos — poder. O problema é que, no Brasil, a "cracia" raramente vem sozinha. Ela vem sempre acompanhada de um jeitinho institucional.
Quando falam em democracia, dizem que é o poder do povo. Quando praticam plutocracia, mostram que o poder é de quem tem acesso ao cofre público.
Vejamos alguns exemplos:
Na época do BNDES dos “campeões nacionais”, a democracia virou plutocracia para grupos como a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista; a Odebrecht, de Marcelo Odebrecht; e tantos outros empresários que receberam bilhões em crédito subsidiado, enquanto o pequeno empreendedor lutava para pagar imposto. Isso não é democracia. É plutocracia com CNPJ amigo.
Na burocracia, o cidadão precisa de dez carimbos para abrir uma empresa, mas um ministério cria uma estatal nova em cinco minutos. O empresário espera meses por uma licença; já o político consegue uma emenda parlamentar em um telefonema. Isso não é eficiência. É a velha burocracia contra o povo e a agilidade a favor do poder.
A juristocracia seria o sistema em que ministros não eleitos decidem mais que deputados eleitos. O Congresso vota, e logo vem uma decisão monocrática para dizer que o voto popular estava “tecnicamente equivocado”. Os parlamentares, hoje, votam em teoria representando o povo, mas supeditados à autorização do STF para confirmar ou não a legitimidade do que votaram. A divisão dos Três Poderes, que é pilar da República, foi para o espaço. Isso não é democracia plena. É tecnocracia com toga.
Temos ainda a partidocracia: um fundo eleitoral bilionário e os mesmos partidos de sempre dividindo recursos públicos, enquanto o eleitor vira detalhe estatístico.
E, claro, a nossa especialidade histórica: a cleptocracia.
-
Mensalão com José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino.
-
Petrolão com João Vaccari Neto, Renato Duque, Paulo Roberto Costa.
-
Fundos de pensão saqueados.
-
Estatais loteadas.
-
Orçamentos secretos.
-
Emendas milionárias sem transparência.
Hoje, os nomes mudam, mas o método permanece: sigilos inexplicáveis, contratos questionáveis, familiares bem posicionados, amigos do rei prosperando.
No discurso, vendem democracia. Na prática, entregam:
-
Plutocracia para aliados.
-
Burocracia para o cidadão.
-
Tecnocracia para justificar excessos.
-
Oligarquia para proteger privilégios.
-
E hipocracia para embrulhar tudo isso em propaganda oficial.
O eleitor vota achando que escolheu a democracia. Acorda vivendo numa promessocracia: muito marketing, pouca entrega e nenhuma autocrítica.
E quando alguém questiona, vem a resposta automática: “Tudo isso é para defender a democracia!”
Curioso... Em nome da democracia, aumentam impostos; em nome da democracia, censuram opinião; em nome da democracia, ignoram o devido processo legal; em nome da democracia, protegem os mesmos de sempre.
O Brasil virou um verdadeiro cardápio de "cracias": Você entra acreditando na democracia. E sai pagando a conta da burocracia, financiando a plutocracia e assistindo à cleptocracia dar palestra sobre ética.
"No Brasil, a democracia virou o álibi perfeito para todas as outras cracias, mas poucas estão sendo aproveitadas pelos verdadeiros donos da República: Nós todos. O POVO."